quinta-feira, 29 de julho de 2010

LINKANIA

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM LINKANIA?

62ª SBPC - CIÊNCIAS DO MAR


A SBPC, realizada esse ano em Natal-RN, contou com a presença de pesquisadores e estudantes do Brasil inteiro. Um espaço democrático de amostra e debate de tudo o que se tem produzido no país em termos de ciência e tecnologia.
Contou com a amostra de pesquisas e de ações desenvolvidas nas mais diversas instituições.
A SBPC jovem oportunizou a presença de estudantes de todos os níveis da educação tanto como ouvintes como expositores de seus próprios trabalhos, aproximando da pesquisa o público ainda nos seus anos iniciais escolares.
É impressionante o que temos produzido em termos de ciência e tecnologia. Estive circulando por espaços de alguns colegas das exatas, da química e é impressionante a profundidade dos trabalhos, alguns pioneiros.
Fico imaginado nossa situação se já tivéssemos erradicado o analfabetismo e outras mazelas da educação.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O SHOW DO EU, VC E TODOS NÓS

Paula Sibilia. O Show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

Antes de desenvolver cada capítulo, Sibilia, faz algumas indagações, nos cativando para o que vem pela frente no próprio capítulo ou nos precedentes. Faz desfilar na escrita tão leve e ao mesmo tempo arrojada, vários autores básicos que lhe conferem propriedade em cada tema. Como alguém se torna o que é? - Nietzsche. Quem sou, quem somos? “Pois eu sou tal e tal e sobretudo não me confundam,” Traços da obra de Nietzsche que poderiam parecer loucura do filósofo para seus contemporâneos, apenas o deslocam no tempo e o tornam nosso contemporâneo bem situado no tempo (de que forma?) em querer aparecer da forma que realmente é.

Megalomania e excentricidade

Paula Sibilia começa seu ensaio com dois fragmentos, um de Nietzsche, filósofo do final do século XIX e outro de Bruna Surfistinha, uma internauta do século XXI. Tenta jogar para a contemporaneidade a naturalização da megalomania e excentricidade outrora tidos como patológicos.

Na sociedade do espetáculo, quem brilha são as pessoas comuns, que agora tem a oportunidade de aparecer, de dizer quem são, sobretudo de se exibirem, de se mostrarem. Com a possibilidade trazida pela interação na grande nuvem que é o ciberespaço “eu, você e todos nós” como enfatiza Sibilia, temos a oportunidade de produzir conteúdos na mídia interativa (Blogs, sites, redes de relacionamento). O amadorismo ganha espaço e se sobressai dentro de uma democracia digital.

Sibilia nos pergunta: “Será que estamos sofrendo um surto de megalomania consentida e até mesmo estimulada?” ou fomos tomados por uma onda de humildade onde todos e qualquer um devem ter seu espaço? “O que implica esse súbito resgate do pequeno e do ordinário, do cotidiano e das pessoas comuns?”...“para onde aponta essa estranha conjuntura que, mediante uma incitação permanente à criatividade pessoal, à excentricidade e à procura constante da diferença, não cessa de produzir cópias e mais cópias do mesmo.”

Exaltação do banal ( o que significa?) - burrice e sabedoria.

“Qual é a relação deste eu e deste vc, tão venerados hj em dia, com aquele alguém de Nietzsche?” (para começar a compreender e pensar nos meios de comunicação de massa e em seguida nos meios de comunicação interativos via tecnologias-redes digitais).

Com a internet surge também uma explosão e produção e interação através de uma hiperprodução de materiais como blogs (diários íntimos), fotologs, páginas pessoais e uma infinidade de sites de relacionamentos e formando diversas redes...as webcams/ revolução da web 2.0

Indica uma transição de uma formação histórica baseada no capitalismo industrial (sociedade disciplinar- Michel Foucault) para outro tipo de organização social. Transformam-se os tipos de corpos e as maneiras de ser e estar no mundo. Novo regime de poder. Novas articulações do mercado.

Como bem indica Sibilia a sociedade disciplinar do sec XIX primava pela separação entre a esfera pública e a esfera privada da existência (principalmente a escrita em forma de diários era feita de forma velada, reclusa, solitária- introspectivo). No sec XXI, diz a autora, as pessoas são convidadas a se mostrarem, a aparecerem.

Fala em desnaturalizar as atuais práticas comunicativas para ir a raiz e verificar suas implicações políticas. Já que o mercado, ou mesmo o próprio capitalismo que se alimenta dos processos criativos postos enquanto repele outros corpos e subjetividades que não lhe são interessantes.

Tenta compreender o fenômeno de exibição da intimidade.

Nos indaga no segundo capítulo a respeito das novas forma de expressão e comunicação via rede, tentando colocar o leitor diante das novas narrativas que surgem, elas se classificam como vidas ou obras ou algo que ainda não podemos definir?(já que muitas vezes, com o privilégio de manter o anonimato os sujeitos mentem ao contar suas histórias). A autora diz não ser fácil buscar essa definição mas se aproxima da ideia de que são gêneros autobiográficos.

Sobre os escritos auto biográficos de forma geral, narra alguns escritores consagrados dialogando com eles e conclui: “Eis o segredo do relato auto biográfico: é preciso escrever para ser.” E aí poderemos voltar aos questionamentos do início da obra quando se reporta a Nietzsche em relação a constituição do ser. É por esses novos caminhos, trilhados pelas narrativas digitais que se configura o novo self, as subjetividades e o próprio sujeito se reconfigura. Fotografia, filmagem, escrita digitais. Equivalências entre viver e fotografar, viver e escrever, viver e filmar. Entre pobreza narrativa de alguns blogs e …

Para Sibilia, não vivemos um momento de meras evoluções, ou adaptação aos meios tecnológicos mas de mutações mesmo. “cada vez mais avaliamos a própria vida” não reconhecemos na ficção ou na tela nossa vida, mas vemos nela mesma diante das narrativas criadas pelo cinema...

“Ao passar do clássico suporte de papel e tinta para a tela eletrônica, não é apenas o meio que muda: transforma-se também a subjetividade que se constrói nesses gêneros autobiográficos. Muda precisamente aquele eu que narra, assina e protagoniza os relatos de si. Muda o narrador, muda o autor, muda o personagem” (SIBILIA, p.50).

Segundo Sibilia, citando Virginia Woolf, até início do séc XIX as mulheres não dispunham de um espaço privado para escrever. A subjetividade necessitava desse espaço restrito, íntimo para aflorar. Na intimidade de seus recintos privativos a escrita confessional, íntima desenvolvia-se através de diários e cartas. Hoje, segundo a autora, se instala uma publicidade total ao escrever sobre a intimidade de cada um...subjetividades/ modos de ser distantes dos modelos introdirigidos.


sábado, 27 de fevereiro de 2010

Rádio AM // TV Full LCD




Meu filho só quer assistir programas e musicais com vídeo. Não se contenta apenas com o áudio. Ele pergunta: cadê o vídeo? Cadê o vídeo, mamãe? Uma nova cognição está em andamento. No meu tempo ouvia as histórias que minha avó contava ou as da rádio da universidade(UFSM)nos domingos à tarde. O aparelho era um radinho Phillips que funcionava com quatro pilhas grandes. A única fonte de comunicação e entretenimento da família até aproximadamente 1980, quando chegou a energia elétrica na localidade onde morava e com ela a luz elétrica, geladeira e televisão. Hoje a criançada nasce em um contexto já dado e que para eles não oferece espanto algum em relação às tecnologias comunicacionais. Imersos na cibercultura desde tenra idade os ambientes proporcionados pela internet lhes são naturais. Convivem desde cedo com desenhos animados, vídeos, e-mails, comunidades de relacionamento, etc. Processo cultural que deveria ser observado e estudado com cuidado por pesquisadores e educadores para que não se chegem a conclusões precipitadas diante de mudanças fundantes de comportamento das novas gerações. Vivenciar e acompanhar o desenvolvimento da geração que está imersa na cibercultura e estar sobretudo aberto ao novo e a um olhar da realidade sem idéias pré-concebidas.


sábado, 19 de dezembro de 2009

Minha fase Tom Zé

Tom Zé no Jô

Botaram tanta fumaça

Todos os Olhos


Tom Zé, baiano de Irará, participou do movimento Tropicália nos anos 60. Considerado uma das figuras mais controvertidas e originais da MPB, ganha fama internacional por intemédio de David Byrne. A capa deste vinil, lançado em plena ditadura militar e tendo passado pelo crivo dos censores, foi motivo de orgulho de Tom e da equipe de produção, por se tratar na época de uma contravenção. Mas será que foi isso mesmo?! Se não foi, que pena!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Resistir é sinônimo da falta de acesso

É interessante observar o progresso dos alunos durante o percurso nas disciplinas. Alguns entram com uma concepção e logo são sensibilizados por leituras, falas dos colegas e dos professores a rever seus conceitos. As convenções e o senso comum são colocados em xeque pelo conhecimento científico e pela lógica. Mas, lamentavelmente, não é com todos que ocorre essa mudança. A pobreza e a miséria são tão profundas nesse país, agregadas à falta de políticas públicas que por mais que você traga para o debate temas atuais, autores importantes para a área, e uma metodologia que dá liberdade de produção ao aluno, os resultados são parcos. Outro dia li um page de um professor que relatava a falta de autonomia dos alunos universitários para criarem livremente. Como vamos formar educadores nas licenciaturas dentro de um modelo tradicional? Por outro lado, se você possibilita a liberdade de elaboração própria, de construção de conhecimento e de espaço para o debate, os resultados são frustantes. Estamos diante de um embate. Poucos são os alunos que se engajam e percebem as vantagens para sua formação. A impressão que tenho é que alguns estão na universidade apenas para pegar o diploma e ganhar um aumento salarial ou fazer um concurso público. Qual a responsabilidade com a própria formação? Cumprir carga horária? Atingir nota? Parece que sim. A preocupação chega apenas no final do semestre com a disculpabilidade do cansaço, do excesso de disciplinas, da monografia e da formatura. Formação não pode ser aligeirada. Aluno deve pegar o número de disciplinas que dá conta de estudar, produzir conhecimento, fazer pesquisa. O resto é perder tempo e desperdiçar dinheiro público.
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